The Code (2009)

Fevereiro 1, 2010

É com alegria que, hoje, escrevo aqui as seguintes palavras: no dia 28 de Janeiro de 2010, vi o pior filme da minha vida.

De todos os elementos horripilantes que constituem este filme, não consigo decidir qual o pior. Terá sido o facto de actores de renome terem aceitado participar nesta coisa? Terá sido a sua história absurda, impossível e ridícula? Os diálogos cliché? As temáticas mais batidas que bife de alcatra? O charme-vómito-latino de Antonio Banderas? A banda sonora de t.A.T.u.? A dúvida permanece…

Numa frase: imaginem o Banderas de Femme Fatale (mas em versão cigana)  inserido numa dupla ao estilo de Entrapment (mas em versão masculina) a protagonizar assaltos e reviravoltas mirabolantes género Oceans’ Eleven (mas em versão totalmente não-Soderbergh) e tentem não chorar.

1/10

Spike Jonze construiu uma fábula visualmente impressionante (cenários, luz, movimento, carinhas e gestos dos monstros… soberbos!), que fará, possivelmente, muita gente ver ideias e teorias. Que ideias e teorias? Isso dependerá da perspectiva.

Talvez digam que a imaginação é o escapatório perfeito para alcançarmos aquilo que não conseguimos obter no mundo real. Talvez digam que por mais que tentemos bloquear as coisas tristes, elas estarão sempre presentes, num momento ou noutro (no real ou no imaginário). Talvez digam que todos precisamos de um momento de rebeldia e aventura e que isso pode até trazer-nos perspectiva.

Um bom filme, para mim, não me deixa indiferente e faz-me ir para casa com alguma coisa nova. O que é que levei de novo? Ainda estou a descobrir. Por enquanto sei só que Spike Jonze fez um bom filme.

8/10

Up in the Air (2009)

Janeiro 27, 2010

Jason Reitman revela-se, mais uma vez, um mestre na criação da receita perfeita:

- pegar num tema actual (e banal até),
- relatá-lo eloquentemente, preenchendo-lo de testemunhos verdadeiramente sentidos,
- inseri-lo no  contexto social e económico mais adequado de sempre (sorte, talvez, mas who cares?),
- escolher para protagonista o cada vez mais aperfeiçoado George Clooney, acompanhado por uma Ana Kendrick absolutamente assombrosa (Oscar, please),
- e enrolar tudo perfeitamente num clima de verdades e realidades previsíveis, habilmente salvas pelo charme encantador do conforto que é saber que, na realidade, somos todos warm fuzzy bears e tudo o que queremos na vida é companhia e amor humano.

Excelente filme. Clap clap (de pé).

9/10

Com coragem de urso e vontade de leão, ponho de parte o meu amor incondicional pela SJP e pelo SATC e parto para uma crítica completamente livre de enviesamentos.

Did you hear about the Morgans é, em todos os sentidos, uma comediazeca:
- sofre bastante com a inexistência de química entre a dupla de protagonistas (sobrevivendo meramente graças ao amor que o público tem, separadamente, pelos dois);
- parte de um conceito completamente revisto, sem ser capaz de introduzir acção ou contratempos dignos de respeito, e oferece um enredo que ganharia qualquer concurso de História Mais Previsível do Cinema.

4/10

Bright Star (2009)

Janeiro 13, 2010

Nunca um intervalo foi tão bem colocado num filme. Uma primeira parte agradável e muito visual. Uma segunda parte demasiado melancólica e crua.

Bright Star teria beneficiado muito, caso tivesse oferecido mais paixão, mais calor e um menor enfoque na tragédia.

Numa frase: Filme para amar ou para odiar (suponho que eu fui a excepção…).

6/10

Agora (2009)

Janeiro 5, 2010

Agora deixou-me pensativa. Se por um lado parece perder por limitar a história a um núcleo de acção muito pequeno, por outro isso permite-lhe, naturalmente, aprofundar o foco do filme e explorar bastante bem o eterno e mega conflito religião/ciência/guerra.

Numa frase: para quem gosta muito de filmes de época e do rabiosque da Rachel Weisz.

6/10

Sherlock Holmes (2009)

Janeiro 4, 2010

Pondo de parte a soneca que dormi nos minutos finais do filme, Sherlock Holmes até nem foi desagradável. A dupla Robert Downey Jr./Jude Law e as piadinhas simples, mas eficazes em conjunto com o plot razoavelzinho são suficientes para entreter o comum mortal.

Já o fã e entusiasta da massa cinzenta do Sherlock ficará certamente um pouco desiludido pela excessiva acção e reduzida complexidade de raciocínio.

6/10

Avatar (2009)

Dezembro 21, 2009

Avatar, um filme que vive apenas da beleza e criatividade das imagens e cenários.

Argumento? Ridículo. Personagens? Cliché. Contribuição para a minha vida? Impressãozinha no nariz por causa dos óculos 3D.

Numa só frase: vejam quando chegar ao clube de vídeo.

5/10

Muitos dirão, certamente, ao falar dos filmes de Michael Moore, you’ve seen one, you’ve seen them all. Infelizmente, começo a dar-lhes razão.

Se os três documentários anteriores pecavam já pelo excesso de unilateralismo e descarada propaganda anti-bush/republicanos/capitalismo/e por aí fora, este então rebenta com a escala.

A esquecer: um ritmo que não prima por uma lógica muito forte e a incapacidade de Moore de não conseguir deixar de colocar toda a sua marcante personalidade no filme

A salientar: os eternos salvadores sentido de humor e bom acompanhamento musical

6/10

Nota: continuo sem saber o que são derivados, mas acho que o Michael também…

2012 (2009)

Novembro 27, 2009

Sem grande argumento e pouca demora nas explicações científicas, 2012 sobrevive graças aos efeitos impressionantes que oferece, que apenas servem para alimentar a curiosidade mórbida que o ser humano mediano tem em ver acidentes e tragédias de grande dimensão.

5/10